Essa pequena cidade no interior do Japão foi um dos lugares que eu mais gostei de conhecer nos últimos tempos
Tranquila, charmosa e cheia de personalidade, Gujo Hachiman se desenvolveu como uma cidade-castelo a partir da construção do Castelo de Gujo, no século XVI. Estive lá em setembro de 2024 para comemorar meu aniversário, seguindo a sugestão de um leitor querido. Obrigada pela dica, José!
Localizada na província de Gifu, a vila histórica e é cercada por montanhas, rios e canais, e tem um tamanho perfeito para ser explorada a pé. Não por acaso, ela é conhecida como a cidade das águas. O mais interessante é que a água que vemos circulando não compõe apenas a paisagem: desde antigamente até hoje, os moradores usam a água corrente no cotidiano — para lavar alimentos, utensílios e até se refrescar nos dias quentes.

Um passeio pelo charmoso Igawa Lane, canal com carpas (Foto: Piti Koshimura / Peach no Japão)

Luxo mesmo é poder mergulhar os pés nessa água cristalina no verão, tomando uma cervejinha local (Foto: Piti Koshimura / Peach no Japão)
Uma cidade pequena com charme contemporâneo
Uma das coisas que mais me encantou foi ver como a cidade preserva o passado, mas sem parecer parada no tempo. Muitas casas antigas foram restauradas e hoje abrigam galerias de arte, cafés, lojinhas de artesanato e pequenos restaurantes. Tudo com uma estética contemporânea e muito cuidado com o design.

São vários restaurantes e cafés com essa cara super estilosa (Foto: Piti Koshimura / Peach no Japão)
Gastronomia deliciosa
No quesito gastronômico, Gujo Hachiman também tem seus encantos. O missô local é famoso e realmente especial: mais escuro, profundo e saboroso, um dos mais gostosos que eu já provei. Aliás, tudo o que comi por lá estava muito gostoso, com aquela simplicidade típica de cidades pequenas, mas com excelente qualidade.

Jantar delicioso no restaurante Shinbashi-tei, com destaque para o missoshiru (Foto: Piti Koshimura / Peach no Japão)
Um ryokan com mais de 150 anos
A hospedagem também foi um capítulo à parte. Fiquei em um ryokan com mais de 150 anos de história, localizado bem no centrinho comercial. Diferente de outras hospedagens do gênero que focam numa experiência mais suntuosa, com staff de quimono, pronto para qualquer solicitação, o Nakashimaya Ryokan tem um serviço e instalações mais simples, deixando o hóspede mais à vontade.

Quarto prontinho para o nosso descanso no Nakashimaya Ryokan. Um charme! (Foto: Piti Koshimura / Peach no Japão)
Foi a base perfeita para explorar todo o entorno caminhando.
Estava uma delícia o café da manhã no estilo japonês, bem servido de ingredientes locais. Mas como eu adoro um pãozinho, iogurte e frutas como primeira refeição do dia, acabamos reservando só uma diária com o café do ryokan, para, na manhã seguinte, conhecer um pouco da cena de cafeterias locais.

Café da manhã no Nakashimaya Ryokan (Foto: Piti Koshimura / Peach no Japão)
Como chegar em Gujo Hachiman
Saindo de Tóquio, levei quase 4 horas até o centro da cidade:
- shinkansen até Nagoya
- trem até Gifu
- ônibus até o centro de Gujo Hachiman
Também existe um ônibus saindo de Takayama, mas o ponto final fica na estrada de acesso à cidade, não exatamente no centro. E há tambem a opção de pegar um ônibus da estação de Nagoya até Gujo Hachiman. Mais informações aqui.
Foram duas noites por lá e achei que foi ótimo para fazer tudo com calma.
Minhas dicas em Gujo Hachiman
- Acomodação: Nakashimaya Ryokan
- Udon: Shota no Udon Gujo
- Café: Supple Coffee Roasters
- Hotel + galeria: Hotel Kinori Art Hotel >> essa era a minha primeira opção de hospedagem na cidade, mas já estava sem disponibilidade nas datas
- Loja de artesanato e antiguidades: Gugulab
- Café e vinhos naturais: Kawabe no Coffee Sakaba
- Restaurante: Shinbashi-tei
- Canal com carpas: Igawa Lane
Além, claro, das ruas históricas, dos canais e do castelo de Gujo Hachiman.
O famoso festival de verão
Quem visita no verão pode ter a sorte de pegar o Gujo Hachiman Matsuri. De meados de julho até o começo de setembro, moradores e visitantes dançam pelas ruas durante 31 noites. É um dos festivais mais longos do Japão — e deve ser uma experiência incrível para vivenciar a cidade de forma ainda mais intensa (e quente, diga-se de passagem hehe).