Quer aproveitar para tirar do papel a tão sonhada viagem, mas não sabe nem por onde começar? Compilei aqui algumas dicas práticas que vão te ajudar nos preparativos.
Quais são as principais rotas de voos para chegar no Japão?
Prepare-se para ficar, pelo menos, cerca de 24 horas dentro do avião, mais umas horinhas no aeroporto para fazer a conexão, já que não existem voos diretos para o Japão. As rotas mais comuns são via Europa, Estados Unidos (requer o visto americano), Emirados Árabes e Qatar. Mas muitas outras rotas são possíveis – vai depender da companhia aérea. Gosto bastante de voar pela Emirates (quem não gosta? hehe) e pela Swiss, que têm ótimos serviços de bordo.
Sobre o tempo de conexão, acho que 3 horas é o ideal para não ter que fazer a troca de aviões correndo. Levem em consideração que, em aeroportos grandes, os terminais podem ser bem distantes uns dos outros, sendo necessário até mesmo pegar um trem interno para se deslocar entre os portões, fora o tempo que se leva para passar pela imigração.
Sobre o horário de chegada no Japão, acho mais confortável chegar no fim do dia para já poder descansar e acordar renovado para bater perna no dia seguinte.
Quais são os principais aeroportos de Tóquio?
Existem dois aeroportos nas proximidades de Tóquio: Narita (NRT), a 70km do centro, e Haneda (HND), a cerca de 20km. Ou seja, se chegar por Haneda, o deslocamento até a sua hospedagem vai ser mais rápido e barato. Porém, nem sempre isso é possível pois a maioria das companhias internacionais aterrissam em Narita – o que não é um problema, pois existem muitas formas de chegar à região central da metrópole. Outros aeroportos internacionais do Japão são o de Osaka (KIX) e o de Nagoia (NGO).
Brasileiros precisam de visto para entrar no Japão a turismo?
ATUALIZAÇÃO: Desde 30 de setembro de 2023, brasileiros não precisam mais de visto para entrar no Japão a turismo, com limite de duração de viagem de até 90 dias, desde que o passaporte seja com chip (padrão IC, o passaporte eletrônico que é emitido no Brasil desde 2010).
Se, por acaso, o seu passaporte não for desse modelo atual, será necessário obter o visto. Entre no site do Consulado do Japão que atenda a sua jurisdição para se informar do procedimento.
Aos portadores de passaporte europeu: cidadãos da grande maioria dos países da Europa também não precisam de visto para entrar no Japão. Veja a relação completa de países isentos aqui: https://www.mofa.go.jp/j_info/visit/visa/short/novisa.html#list
Existe alguma exigência em relação à vacina ou teste de COVID para entrar no Japão?
Desde 29 de abril de 2023 o Japão deixou de exigir comprovação de vacinas ou teste negativo antes do embarque! A página Visit Japan poderá ser usada para agilizar o processo de alfândega, imigração e tax free.
Qual a melhor época para ir ao Japão?
Cada estação vai te mostrar um Japão diferente, tanto no clima, quanto no visual, na culinária, e nas atrações. Eu, particularmente, gosto muito do outono e da primavera por conta da transformação da natureza. O inverno também tem o seu charme – apesar de dias mais curtos –, e o verão é terrivelmente quente.
Como esse tema envolve diversos fatores, preparei o guia GRATUITO:
Quando ir ao Japão? Como escolher a melhor época para a sua viagem
Nele, você vai encontrar:
- Pontos positivos e pontos de atenção de cada estação
- Melhor período para ver as cerejeiras
- Melhor período para ver as folhagens de outono
- Meus meses preferidos
- Feriados prolongados
- Temporada de chuvas
- Temporada de tufões
Para acessar gratuitamente o guia, clique aqui.
O que é o JR Pass?
ATUALIZAÇÃO: O JR Pass sofreu um aumento substancial em outubro de 2023. Mais informações aqui.
O JR Pass é um passe de trem da JR – Japan Railways, a maior companhia de trens do Japão. Com ele, você tem acesso ilimitado a viagens em quase todos os trens da companhia (incluindo os trens-bala), alguns ônibus locais e a balsa para Miyajima, que também são operados pela JR. O passe tem a validade de 7, 14 ou 21 dias, contados a partir do dia da primeira viagem.
Detalhe importante: só quem entra com o carimbo de “temporary visitor”, ou seja, quem vem a turismo ou viagens curtas de até 90 dias, pode comprar o JR Pass. Se você vem com visto de estudos, trabalho ou qualquer outro visto especial, infelizmente, você não poderá aproveitar esse benefício.
Após o aumento, o passe de 7 dias passou a custar a partir de ¥50.000 – um valor bem alto, que vai fazer com que essa opção perca a popularidade entre viajantes. Dificilmente esse valor vai fazer o JR Pass valer a pena, mas tem situações em que viajar com ele pode ser mais confortável. Veja mais neste post.
SUICA e Pasmo: como funcionam os IC Cards, os cartões de pagamento de transportes no Japão?
Os IC Cards vão facilitar MUITO os seus deslocamentos pelo Japão. Existe a versão física e a versão mobile no Wallet do Iphone. Como obter, como usar, e outros detalhes estão neste post dedicado ao assunto.
Onde se hospedar em Tóquio?
Um fator crucial ao escolher hospedagem é pensar em função dos trens e metrôs, que são as melhores formas de se deslocar pela capital do Japão. É bom verificar quanto tempo se leva para chegar até a estação mais próxima (até 5 minutos de caminhada, para os padrões de Tóquio, é maravilhoso), além de checar quantas e quais linhas você terá por perto. A linha de trem Yamanote da JR é a linha circular, que passa por muitos pontos interessantes da cidade. Também recomendo usar a rede de metrô, que é excelente.
Geralmente, quem visita outras cidades além de Tóquio acaba ficando com um tempo limitado na capital. Como a estação de Shinjuku concentra várias linhas importantes, ficar pela região pode parecer muito prático, porém, encarar a maior estação do Japão pode ser um tremendo desafio. Eu prefiro não depender desses grandes hubs como Shinjuku e Shibuya, por exemplo, porque enfrentar uma estação enorme todos os dias pode fazer a gente perder bastante tempo só tentando achar a plataforma do trem que queremos pegar – isso acontece até mesmo com quem mora na cidade já há um certo tempo.
Para turistas, ficar por Ginza também é bem prático. Lá tem uma boa oferta de hotéis, além de comércio, restaurantes e uma excelente infra de transportes, com várias linhas de metrô e de trem por perto. Outra estação que acho bacana, sem tantas opções de hospedagem (e sem tantos turistas), mas com uma ótima variedade de restaurantes e bares, e bem conectada a pontos interessantes de Tóquio é Ebisu. E uma estação que tem poucas opções de hotéis, mas que acho super charmosa, é Gaienmae, perto da região de Aoyama e Harajuku. Se preferir ficar perto dos museus de Roppongi, o entorno da estação de metrô Akasaka-Mitsuke ou Azabu-Juban também podem ser uma boa.
Para quem quer um clima mais local e tem espírito mais desbravador, pode considerar ficar perto de Kanda ou Nezu station.
Quanto vou gastar por dia no Japão?
Isso é muito relativo, pois depende do estilo de cada um. Tirando a hospedagem, pode variar algo entre 5 mil (nível ultra econômico) a 10 mil ienes (budget mais confortável), para mais.
Vamos a alguns valores médios praticados em Tóquio:
- Almoço em restaurante (“lunch menu”): ¥1500 a ¥2000
- Café expresso: ¥500
- Prato pronto em loja de conveniência: ~¥600
- Cerveja em bares, restaurantes ou izakayas: ¥500, ¥600
- Jantar em izakaya incluindo umas bebidinhas: a partir de ¥4000, ¥5000
- Entradas em museus, jardins e outras atrações: de ¥300 a ¥2000
- Deslocamentos de trem/metrô: a partir de ¥170
Hospedagem em ryokan: o que é?
Hospedar-se num ryokan é mais do que aconselhável se você quiser vivenciar aquilo que temos em mente do que é “tipicamente japonês” ou, talvez, o Japão de tempos passados. Trata-se de um tipo de acomodação que combina elementos tradicionais: ficar em quartos com piso de tatami, dormir no futon no chão, e não em camas, experimentar refeições servidas de um jeito maravilhoso e preparadas com os ingredientes locais e da estação, além de perambular por todo os recintos do ryokan vestindo um yukata (um kimono mais levinho, feito de algodão). Há muita oferta de ryokan em cidades de águas termais, os chamados onsen, outra experiência típica imperdível! Mais informações sobre onsen aqui. Omotenashi, espírito de hospitalidade dos japoneses, é a palavra de ordem.
Pontos de atenção sobre hospedar-se num ryokan:
- Se você tem problema de coluna, dor nas costas ou restrições de mobilidade, dormir em um futon no chão pode não ser a coisa mais confortável do mundo. Alguns ryokans mais modernos oferecem quartos com camas, no estilo ocidental. Pesquise por “western rooms”.
- É importantíssimo respeitar os horários e as regras do ryokan. Os jantares são servidos cedo, geralmente num intervalo entre 17h30 e 19h, dependendo do estabelecimento. O cliente escolhe em qual horário vai querer ser servido e o staff vai tomar todas as providências para que, naquela hora, a refeição esteja pronta para ser degustada. Se o cliente vai dar um rolê pela cidade e se atrasa para o jantar, a comida já não vai estar no melhor estado, pelo menos não para os padrões japoneses de atenção, cuidado e refinamento. São horas de preparo e de dedicação. Então acaba sendo frustrante para o ryokan não poder servir a refeição da forma que havia planejado.
Se procura uma orientação mais personalizada, que tal conferir o meu serviço de consultoria de viagem ao Japão? Resolvo dúvidas práticas, analiso ou monto seu roteiro e faço uma curadoria especial dos lugares que venho desbravando por aqui, nos últimos anos! 😉