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Taiyo Records, a loja em Tóquio especializada em música brasileira

Para meu vídeo mais recente pro Sem Fio, entrevistei o músico Ryosuke Itoh, que, junto com sua esposa Shiho, é proprietário da Taiyo Records, uma loja de discos em Tóquio especializada em música brasileira.

Esse dia ensolarado de primavera em Tóquio foi muito especial. Além de aprender bastante sobre música com Itoh-san, tive o grande prazer de filmar o casal tocando “Kobune”, a versão em japonês do “O Barquinho”, escrita pelo próprio músico. 🙂

Pra quem ficou curioso, dá uma olhadinha no site da loja!

http://taiyorecord.com/

 

 

Produtora de conteúdo interessada em cultura e artes, juntei meu fascínio pelo país de origem dos meus avós com a minha paixão por compartilhar histórias para criar o Peach no Japão. Aqui vocês encontrarão devaneios sobre cultura japonesa, histórias de viagem e dicas que não estão nos guias 😉
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Aiko-san e as 4 cervejas por 180 reais

Vendo essa decoração super kitsch e engraçada, com CDs pendurados na parede e no teto, não tivemos dúvidas. Entramos no bar vazio, em Nagano (a 200km de Tóquio), e fomos super bem recebidos pela simpática senhora de cinquenta e poucos anos, que ficou nos servindo alguns aperitivos para acompanhar a cerveja.

Conversamos muito. Sei que ela nasceu na ilha de Guam, na Micronesia, e que seus pais nasceram na Coreia. Que se mudou para o sul do Japão quando jovem e que, depois de casada, foi morar em Nagano. Que, depois do casamento, engordou tanto que hoje pesa o dobro do que pesava. Sei que ela odeia o inverno e que não tem dinheiro para comprar uma máquina que ajudaria a tirar a neve que acumula na porta da sua casa. Que ela gosta de carne de cavalo, mas que tinha um cavalinho de estimação na época em morava com seus pais. Que seus três filhos moram e trabalham em Tóquio e que seus vizinhos adoram o kimchi – uma receita coreana – que ela prepara. Conhecemos seu marido, um senhor muito simpático, que entrou no bar so pra deixar algumas compras.

O bar também tinha karaoke, mas o papo foi longe e eu, que adoro uma cantoria (meus genes não negam), acabei esquecendo de escolher alguma música pra cantar.

(Pausa pro banheiro: ao lado da pia, um calendário com fotos de mulheres peladas. “Que estranho. Será que ela não tinha um calendário melhorzinho pra pendurar?”)

Ao ver que estávamos prestes a pedir a conta, Aiko-san me fez ficar emocionada ao anotar num papelzinho o telefone de seus três filhos, falando que eu poderia ligar pra qualquer um deles, caso eu precisasse de alguma ajuda. Ficou preocupada comigo, morando sozinha em Tóquio, lugar onde mora muita “gente estranha”. Senti aquela preocupação de mãe e agradeci muito pelo carinho e gentileza. Queria ter uma lembrança de lá e pedi pra tirar a foto.

(Algo na tela do karaoke me chama a atenção: fotos de mulheres peladas se alternam com fotos de casais também um tanto quanto desnudos. “Ué…será que ela sabe que tipo de foto está passando no shuffle do karaoke? Coitada, nem deve ter percebido”)

Pedimos a conta e veio o susto: 8.000 ienes por 4 cervejas de garrafa. O equivalente a 180 reais. Oi?

Cada cerveja custava 1000 ienes e a taxa de entrada, por pessoa, custava 2000 (quase 50 reais). Taxa de entrada caríssima pra um boteco com iluminação colorida onde cabem 5 pessoas. (Peraí. Iluminação colorida e fotos de mulheres peladas?)

Reclamamos do preço e Aiko-san se desculpou, se curvando até formar um ângulo reto. Mas disse que, comparando com outros lugares da redondeza, o seu bar era o mais barato e que o vizinho, por exemplo, cobrava 3000 ienes só de entrada. Saímos e vimos que era verdade, estava escrito na placa.

Sem ter como contestar, pagamos os 8.000 ienes. Me senti meio idiota porque tive a impressão de ter caído naquele velho golpe de “vamos extorquir esses turistas”.

Mas, depois de ligar os fatos, chegamos à conclusão de que nós é que estávamos numa área de business duvidosos. E que, Aiko-san, talvez, só estivesse tentando juntar uma grana pra poder tirar a neve da porta da sua casa sem tanto sofrimento.

Produtora de conteúdo interessada em cultura e artes, juntei meu fascínio pelo país de origem dos meus avós com a minha paixão por compartilhar histórias para criar o Peach no Japão. Aqui vocês encontrarão devaneios sobre cultura japonesa, histórias de viagem e dicas que não estão nos guias 😉
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Suzuki-san, o senhor hospitaleiro da trilha Nakasendo

Depois de conhecer tantas figuras interessantes nesses rolês por Tóquio e pelo Japão, começo aqui uma nova categoria do blog: Personagens.

O escolhido para a estreia é Suzuki-san, senhor japonês que acolhe os viajantes da trilha Nakasendo, no trecho que liga as cidadezinhas de Tsumago e Magome, para uma pausa com chá quentinho e alguns quitutes.

Tsumago e Magome, na região de Kiso Valley, região central dos Alpes japoneses, são cidades aparentemente cenográficas, que mantêm as características originais do período Edo (1603-1868).

 

Rua principal de Magome

Rua principal de Magome

O caminho Nakasendo era uma das duas rotas que ligava Quioto e Tóquio durante esse período e os viajantes, por determinação do xogunato, tinham que fazer a trilha a pé. Por isso, ao longo dessa rota surgiram muitas cidades que ofereciam opções de acomodação, alimentação e lugares de descanso, sendo Tsumago e Magome duas dessas cidades que ainda hoje conservam esse espírito antigo.

A trilha entre as duas cidades é um trecho muito bem conservado do caminho Nakasendo. Tem pouco mais de 7km e leva-se de 2h30 a 3h para completar o percurso.

Partindo de Magome, a poucos quilômetros de Tsumago, lá está o sr. Suzuki, convidando os viajantes para um descanso numa antiga casa de madeira. Imediatamente, serve chá e algumas comidinhas, como conservas japonesas e kuri (castanha portuguesa) cozido.

 

Suzuki_nakasendo_peach_japao_3 Suzuki_nakasendo_peach_japao_2

Ele faz questão de trocar uma ideia com todos que param lá para um pitstop e ficou muito intrigado depois que eu falei que sou brasileira. Quando isso acontece (quase sempre), prontamente explico que meus avós nasceram no Japão e se mudaram para o Brasil. Seguiu com o papo e eu pedi para tirar uma foto.

Suzuki_nakasendo_peach_japao

 

Depois do click, uma última pergunta do sr. Suzuki: “você é casada?”. rsrs 😛

 

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