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Sem internet, mas com boas histórias

Logo que desembarquei no aeroporto de Narita, parti pra uma viagem de uma semana pelo Japão. Foram dois dias em Kitakami, um em Nikko, três em Kyoto e um fim de tarde em Osaka. Mesmo num ritmo totalmente de slow travel, sem a piração de visitar todos os pontos turísticos, foram 7 dias super produtivos, com direito a lugares sensacionais, bate-papo com desconhecidos, viagens de trem apreciando a vista da janela, fotos e muita, MUITA, comida gostosa – hmmmm! Uma amiga tinha até sugerido de postar atualizações diárias aqui no blog, mas eu, como boa slow writer, limitada a internet de hotel, passei a achar a missão impossível (foi mal, Cassi :P).

Percebi como é bom se desconectar um pouco e segurar o movimento do indicador na tela do celular, que muitas vezes funciona no modo automático. A gente repara mais nas pessoas, na vista, nas placas. Observamos os gestos, os detalhes e apreciamos as gentilezas.

Fofurices dos hotéis japoneses: escovas de dente que dizem para você relaxar e tsuru que dá boas vinda

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Trocamos ideia com quem está do lado e ganhamos um tipo de conhecimento que não está no Facebook, nem no Instagram.

Num restaurante delicioso em Kitakami, a 500km ao norte de Tóquio, estava conversando com meu namorado quando me surgiu uma dúvida de japonês. Na escola de nihongo, anos atrás, aprendemos uma regra que definia a utilização das partículas honoríficas “o” e “go”, antes de certas palavras. É por isso que ouvimos o-hashi, no lugar só de hashi (os palitinhos), ou o-cha (chá). “Go” é usado, por exemplo, em go-kazoku (família) ou go-chuui (cuidado). A função de ambos é a mesma: mostram polidez e trazem mais refinamento e beleza ao discurso. Só que eu não lembrava em quais casos usa-se “o” e em quais usamos “go”. Meu namorado também não sabia e levantou nossa dúvida para a simpática funcionária do restaurante que estava nos atendendo.

Ela disse que sim, possivelmente havia uma regra, mas ela não sabia explicar, já que o uso dessas partículas acaba sendo meio que natural para os japoneses. Vi que ela estava se esforçando pra encontrar uma lógica mas, no final, a dúvida continuou no ar e seguimos com o nosso jantar. Na hora de ir embora, a mesma atendente veio com a conta e com seu celular nas mãos. Queria nos mostrar a regra do lance das partículas, que ela tinha pesquisado na internet pra gente <3 <3 <3 (para quem quer entender: basicamente, usamos “o” antes de palavras de origem japonesa e “go” para as palavras de origem chinesa. Essa é uma explicação beeeem simplificada – por favor, linguistas, não me ataquem!)

Que fofura! Depois de um jantar incrível (que vai merecer um post mais pra frente), ela conseguiu deixar a noite ainda mais especial. O engraçado é que, mesmo depois de ter passado um ano aqui, continuo me surpreendo com essa gentileza e consideração dos japoneses.

Se antes eu estava pensando em comprar um chip de dados para ter internet 24h/dia, agora já considero ficar só com a conexão que tenho em casa. Assim, sobra mais tempo para bater papo e ter boas surpresas como essa 🙂

Produtora de conteúdo interessada em cultura e artes, juntei meu fascínio pelo país de origem dos meus avós com a minha paixão por compartilhar histórias para criar o Peach no Japão. Aqui vocês encontrarão devaneios sobre cultura japonesa, histórias de viagem e dicas que não estão nos guias 😉
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