Precisamos falar de Terrace House – de novo!

Ainda não sei dizer qual é a minha temporada preferida do reality show japonês exibido pela Netflix, mas os dias no Havaí também são viciantes. Quando terminei a terceira parte, na semana passada, fui tomada por um misto de alegria, surpresa e AGONIA – justamente por não saber quando a parte 4 será lançada (para quem caiu aqui de paraquedas e está se perguntando Terrace o quê??, recomendo a leitura deste post).

Daí, achei que valia a pena escrever mais um post sobre minhas impressões, até porque adoro trocar figurinhas com vocês. Vão rolar alguns spoilers muito de leve, nada que vá estragar a sua experiência caso você ainda não tenha acompanhado nenhuma das temporadas – mas vai ser muito mais interessante ler se você já assistiu às duas 😉

1. Yuto Handa (Tóquio) e Guy (Havaí): quero ser amiga dos dois!

Na minha humilde opinião, são os participantes mais bacanas, cada um no seu estilo. O Handa-san tinha um perfil conciliador, sem ser chatão ou moralista. Coube a ele o papel de irmão mais velho na hora de resolver alguns atritos da casa. Cool até o último fio de cabelo, a mulherada se derreteu por ele, inclusive as comentaristas, que o apelidaram de Han-san (num trocadilho com handsome). Mas ele sempre se manteve tranquilo, sem deixar o ego inflar mesmo em relação aos seus estudos e seus ambiciosos planos de carreira como arquiteto e designer de mobiliário (olhem que lindos os projetos dele). Sua saída foi um dos momentos mais emocionantes da casa, levando às lágrimas os demais participantes – e, aposto, muitos espectadores 🙋.

O Guy é um fi-gu-ra. O molecão de 20 anos tem a espontaneidade de uma criança, faz comentários hilários e inusitados, mas se transforma quando fala da sua relação com o surf e, claro, quando sobe na prancha (eu babo com essas cenas, aliás). Ele foi ganhando destaque pouco a pouco e, na terceira parte, vira um dos participantes-chave. Foi a mistura de momentos em que canta quando rega sua planta com horas de extrema lucidez em meio a discussões de assuntos sérios que passei a considerá-lo uma das figuras mais interessantes da casa. Gostei muito, por exemplo, da conversa que ele teve com o Taishi-kun, pedindo para não ser usado como um modelo de profissional a ser seguido. Isso aconteceu depois que o Taishi deu um puxão de orelha no Yuya, falando que ele deveria ser mais sério com seus objetivos profissionais, usando o Guy como referência – “olha aí o cara com 20 anos, com chances de ir para as Olimpíadas”. Consciente de que tem uma carreira bastante atípica (surfa desde os 5 anos de idade e, aos 20, já é um surfista profissional), Guy, diferente de muita gente no seu lugar, não acha que deva ser modelo para ninguém, pois cada um tem seu tempo e seu jeito de trilhar seu caminho.

2. A importância dos sonhos e objetivos para os japoneses

Engraçado é reparar em quantas vezes as perguntas “o que você quer ser/fazer da vida?” ou “quais os seus planos e sonhos?” aparecem entre os participantes, que, muitas vezes, mal se conhecem. Essa conversa séria entre o Tashi e o Yuya junto com outra discussão que rolou na temporada de Tóquio, entre o Yuki e a Mizuki-chan, mostram o quanto os japoneses consideram importante essa questão dos esforços para atingir seus objetivos (lembrando a cultura do “ganbaru”). O dançarino de sapateado ficou questionando a barista de um jeito tão incisivo que a fez cair aos prantos.

3. Havaí x Japão

Confesso que não botei muita fé quando vi que a segunda temporada seria fora do Japão. Mas foi justamente a mistura de culturas dentro da casa que levantaram situações bem interessantes, principalmente por parte dos participantes criados no Havaí. Sem muita firula, vemos a cultura norte-americana se sobressaindo na hora de resolver questões que ficam entaladas na garganta.

Taishi e Cheri (será que é cena de algum date futuro?)

Um exemplo disso é quando a miss Hawai, Cheri, confronta o Taishi em nome das meninas, falando que ele não estava sendo claro na questão dos dates (o melhor foi o Guy tentando amenizar pro lado do guilty samurai). Aliás, acho muito legal a participação de hafus (mestiços), de gente tatuada e de outros perfis que não seguem o protocolo dos doramas tradicionais da tv japonesa.

4. Lauren Tsai: minha inspiração para me tornar fluente em japonês

A americana Lauren, de ascendência chinesa

Nascida e criada em Massachusetts, a modelo/artista de 18 anos fez um intercâmbio de 6 semanas em Hiroshima quando tinha 15 anos e, a partir daí, quis estudar japonês. Disse que aprendeu a falar daquele jeito vendo as temporadas anteriores de Terrace House. Fiquei – apenas – chocada. Não sei se vou ter essa mesma capacidade, mas uso bastante a série para anotar palavras e expressões que eles usam no dia-a-dia. Às vezes, o que aprendemos nos cursos é uma linguagem mais formal e acabamos falando de um jeito rebuscado demais no cotidiano. Uma vez, conversando com dois amigos japoneses, soltei um “hontō??” (algo como: é sério??) e ele ficou surpreso com a meu excesso de formalidade. Foi ele que me ensinou o “maji ka?”, que ouvimos o tempo todo no reality show.

Agora quero saber de vocês: o que vocês mais gostam na série? 😉

 

Produtora de conteúdo interessada em cultura e artes, juntei meu fascínio pelo país de origem dos meus avós com a minha paixão por compartilhar histórias para criar o Peach no Japão. Aqui vocês encontrarão devaneios sobre cultura japonesa, histórias de viagem e dicas que não estão nos guias 😉
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Comentários

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3 Comments

    • Piti Koshimura

      Oi Elisângela! Puxa, vou ficar te devendo… Mas tenta usar o shazan ou outros aplicativos que descobrem qual é a música! 🙂

      • Eli Sângela

        Oi Piti! Arigato por me responder! Eu encontrei! Foi tamanha a sintonia da cena com a música que eu me senti a propria Niki ^^ a musica ficou na minha cabeça e eu tinha que ouvir ela inteira. Caso você também tenha interesse está aqui o nome: Indestrictible de Nik Ammar e Franklyn Hill. To ouvindo pelo Deezer. Bjo!!!

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