Estudar japonês em Tóquio: dicas práticas e conselhos

Morar em Tóquio para estudar japonês durante um ano foi uma experiência incrível e sempre dou o maior apoio a quem tem vontade de se aventurar em terras estrangeiras.

Morei no Japão de 2013 a 2014 e estive de volta ao país neste ano, entre abril e maio. Como fui sem bolsa de estudos, tive que resolver muitas coisas por conta própria. Sei que dá um frio na barriga só de pensar em questões como “onde estudar”, “como alugar um apartamento”, “quanto dinheiro vou precisar por mês”, então, com este post, espero ajudar quem está fazendo planos por aí 😉

1. Escolhendo a escola de japonês

Estudei na Kai Japanese Language School, que fica em Shin-Okubo, o bairro coreano de Tóquio, a 15 minutos a pé de Shinjuku. Não foi muito difícil optar por essa escola. A estrutura do curso era interessante, o site deles era muito completo e atualizado, a infra-estrutura me pareceu bem legal, mas, o maior diferencial para mim, foi a atenção dada a cada uma das minhas dúvidas, muito superior àquela dada pelos seus concorrentes. As respostas detalhadas chegavam em questão de horas (ou na primeira hora comercial do dia seguinte, considerando o fuso). Todo esse tratamento e cuidado foi me deixando muito segura em relação a todo o processo, que envolve envio de muita papelada, obtenção de visto, transferência de dinheiro, etc.

Tive professores muito bons, as instalações realmente eram ótimas e a escola sempre se esforçava em promover atividades de integração entre os alunos. A cada início de trimestre, rola, por exemplo, uma festa de boas-vindas num karaokê, em que até funcionários e professores tomam umas cervejinhas e arriscam uma cantoria.

A escola tem uma preocupação enorme com seus alunos, até em questões que vão além dos estudos, como médico, moradia, trabalho e segurança em dias de tufões e terremotos. Eles estão lá para assegurar que sua estadia seja a mais tranquila e proveitosa possível.

Todas as aulas são dadas em japonês, mesmo no nível básico. Mas, nos intervalos das aulas, ainda dentro da escola, relaxávamos e conversávamos em inglês, o que pode prejudicar um pouco o ganho de fluência na língua. Se vocês estiverem procurando algo mais rígido, sei que tem escolas em que é necessário assinar um termo em que você se compromete a falar apenas em japonês dentro da escola, mesmo durante as pausas.

Outro fator importante a ser considerado é que existem escolas que são voltadas a alunos chineses e taiwaneses, que já têm bastante familiaridade com os kanjis. Os kanjis são provenientes da China, mas, no Japão, adquiriram leituras e, em alguns casos, significados diferentes.

2. Como achar um lugar para morar em Tóquio

Existem muitas agências de imóveis voltadas a estrangeiros que irão ficar por um período determinado no Japão. É possível pesquisar opções de apartamentos, quartos em casas compartilhadas ou dormitórios, fazer a reserva pela internet e chegar no país já com um lugar para ficar. Eles não pedem fiador e, como garantia, exigem um depósito caução.

Duas agências que trabalham nesse esquema (as mais populares entre o pessoal que conheci na escola) são a Fontana e a Sakura House. Tanto na temporada que passei em 2013/2014 quanto no mês que passei em Tóquio neste ano, aluguei pela Fontana. Todos os agentes são estrangeiros e falam inglês.

A não ser que você fique só durante uma estação mais amena, como o outono ou a primavera, uma coisa que não pode faltar no quarto é um ar condicionado/aquecedor. O verão é infernal e, durante o inverno, as temperaturas caem para perto de zero grau. Diferente de outros países, as construções japonesas, geralmente, não têm isolamento térmico.

3. Apartamento x Shared house?

Quando decidi morar no Japão por um ano, eu nem cogitei morar numa casa com mais gente. Na época, já fazia uns 2 anos que eu morava sozinha em SP e não queria pensar em ter que dividir banheiro, enfrentar ralos entupidos com cabelos alheios ou ver aquela louça suja de dias acumulada na pia. Por pouco tempo, vá lá, mas por um ano…

Por isso, meu primeiro lar em Tóquio foi um apê perto da escola. Era um apartamento de construção recente, todo equipado, acolhedor e… pequeno, obviamente rs. Algumas unidades que as agências chamam de apartamento têm cerca de 8 ou 10m2. O meu até que era um palacete perto disso, com uns 20 e poucos m2. O único problema era cozinhar, já que a “cozinha” era limitada a uma boca de fogão e pia, sem bancada ou mesa para preparar a comida (a máquina de lavar roupa acabou ganhando uma nova função).

Com o tempo, fui vendo que poderia ter sido mais legal ter optado por um quarto numa casa com mais gente. Afinal, estando num outro país, uma das coisas que a gente busca é conhecer gente e fazer amigos, certo? Fora que, com o aluguel mais em conta, ao invés de pagar pela exclusividade do banheiro, talvez seja mais interessante investir em outros gastos, como viagens de fim-de-semana.

Fiquei matutando essa ideia de me mudar até que surgiu a oportunidade de dividir um apartamento com a Amanda, minha bff suíça. Nos conhecemos logo na minha primeira semana por lá pois ela estudou na mesma escola durante um trimestre. Nos últimos três meses da minha estadia, ela resolveu voltar pro Japão e fazer mais um módulo do curso.

Valeu a pena todo o trabalho de procurar apartamentos, empacotar minhas coisas e fazer a mudança só pra ficar três meses? SIM!!! Valeu super! Dividir apê com ela foi incrível pois tínhamos a mesma sintonia. Não tivemos nenhum estresse na hora de fazer supermercado, dividir contas, fazer faxina e hospedar amigos. Cozinhávamos juntas (finalmente uma cozinha decente!) e fazíamos algumas festinhas com a galera da escola. Foi muito melhor do que ficar sozinha no primeiro apartamento e ainda pude economizar uns 20 mil ienes por mês (cerca de 190 dólares).

Claro que não é sempre que a gente tem a sorte de dividir um apartamento com amigos, então hoje eu penso que vale a pena sim compartilhar o teto com desconhecidos, mesmo sob o risco de ter que encarar uma fila na hora do banho.

Para quem quer mais conforto e mais interação, existem as opções de social residences. São shared houses mais estilosas, com salas amplas, cozinhas onde realmente é possível cozinhar, e, em alguns casos, tem até salinha de cinema. Dependendo da localização, acaba saindo mais caro que ficar num apartamento sozinho, mas a proposta é de propor uma maior socialização entre os residentes.

Muitas trabalham com inquilinos japoneses e estrangeiros, então é uma boa maneira de treinar o japonês e aprender mais sobre a cultura. Uma agência que oferece bastante opção nesse tipo de acomodação é a Oak House.

4. Quanto vou gastar por mês morando em Tóquio?

Isso vai depender de muuuuitos fatores. Mas vamos lá a alguns valores, baseados na minha experiência e na de gente que conheço :

  • Aluguel de apartamento morando sozinho: +- ¥ 80 mil
  • Contas (internet, luz, água): +- ¥ 10 mil
  • Aluguel de quarto em shared house: +- ¥ 70 mil (as contas geralmente estão inclusas)
  • Transporte: se você pegar trem pra ir todo dia pra escola, considerar pelo menos uns ¥ 10 mil (uma alternativa é comprar uma bike)
  • Conta de celular com plano de dados: +- ¥ 5 mil
  • Menu de almoço em restaurantes: em média, uns ¥ 800
  • Uma cerveja em bar: +- ¥ 500
  • Jantar em izakaya (comida + bebidas): ¥ 3 mil, 4 mil

É claro que tudo vai variar de acordo com o estilo-de-vida de cada um. É difícil estabelecer médias, pois o céu é o limite. Os aluguéis vão variar de acordo com a localização e com o tipo de construção e de instalações. Mas uma coisa pode compensar a outra, pois, se bem localizado, talvez você faça mais coisas a pé e use menos transporte público. Do mesmo jeito que, quando for sair pra jantar, você pode gastar muito mais ou muito menos que isso, dependendo do restaurante.

A grosso modo, diria que, tirando os gastos com moradia, com uns 80 mil ienes é possível passear, aproveitar a cidade e sair pra comer, de forma moderada.

5. Tenho quase 30 anos. Vou ser um ET na escola?

Voltei a ser uma estudante (e não, não estamos falando de mestrado ou doutorado) quando eu tinha 28 anos, quase 29. Meu receio era de ser um peixe fora d’água no meio da molecada. Na minha classe, quase metade tinha até 23 anos. Dos 15 alunos, só dois tinham mais de 30.

Mas qual a importância disso? Nenhuma! Percebi que temos que ir de cabeça aberta, sem preconceitos, sem julgamentos. E, assim, tiramos o maior proveito possível da experiência. Fiz amigos pra vida inteira, mesmo com nascidos nos anos 90 rsrs. Um exemplo é a minha bff suíça, que tinha 21 anos quando a gente se conheceu.

Cada pessoa tem uma história de vida, uma cultura diferente. E, estando aberto, a gente aprende muito com cada um deles.

Disso tudo aprendi que, ao embarcar numa experiência fora do país, temos que nos desconectar de padrões de pensamento que temos na nossa vida de todo dia para poder aproveitar essa experiência ao máximo. Falo um pouco disso nesse vídeo do Sem Fio, o último que fiz para o canal.

Espero ter ajudado e, quem tiver dúvidas, pode deixar um comentário aqui!

 

 

Produtora de conteúdo interessada em cultura e artes, juntei meu fascínio pelo país de origem dos meus avós com a minha paixão por compartilhar histórias para criar o Peach no Japão. Aqui vocês encontrarão devaneios sobre cultura japonesa, histórias de viagem e dicas que não estão nos guias 😉
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