A diferença que um “Si” faz

Sim, é Peach no Japão, mas preciso fazer um parênteses pra contar essa história que rolou num dos últimos dias na Tailândia. Essa viagem foi a mais sem planos que fiz na vida (nada de virginianice nisso) já que, tirando a primeira semana (a do ano novo), quase tudo estava meio que em aberto. Por causa disso, claro que passamos por algumas surpresas (e poucos perrengues) e, no final das contas, sempre acabávamos descobrindo algum lugar especial.

Depois de um rolê pelas praias e pelo norte do país, voltamos pra Bangkok, de onde pegaríamos o voo pra ir embora. Querendo fugir da vibe de cidade, decidimos por volta da meia-noite passar o dia seguinte numa ilha que nunca tínhamos ouvido falar até então, mas que uma pesquisa no google mostrou ser promissora: Ko Si Chang. Ficava a 100km (umas 2h) de Bangkok e, para um bate-volta, achamos bem  razoável.

Acordamos cedinho pra poder aproveitar o último dia de praia e fomos pra rodoviária. Fomos direto na cabine que tinha uma plaquinha escrito “Ko Chang” e perguntamos pelas passagens. Era bem mais caro do que falava no blog que eu tinha pesquisado antes, mas, como o ônibus sairia dali a poucos minutos, não tivemos muito tempo pra pensar. “Vai ver que ele deixa num porto mais perto” (hiper-otimismo #1) foi o que minha amiga pensou e eu, ingenuamente, dei o dinheiro na mão dela.

Na hora de pegar o busão, surpresa. Não era um o busão VIP que falavam no blog, era uma mini-van. Sentei naquele lugarzinho estreito do fundo, ao lado das mochilas dos outros viajantes, onde cabe 1 pessoa (pequena) e meia. Minha amiga diz “Talvez a van vá mais rápido que o ônibus, por isso é mais cara” (hiper-otimismo #2). A van estava cheia e, pra minha surpresa e desespero, dois caras embarcam. E, claro, um deles teve que sentar no lugarzico que restava do meu lado. Comecei a conversar com ele, um sueco que já estava na quinta viagem pela Tailândia, super animado para conhecer Ko Chang. Perguntei, só por perguntar, quanto tempo levaria a viagem e ele me respondeu “Ahhh, umas 6 horas”. Oi? Não, impossível. “Sim, porque Ko Chang é depois de Ko Samet, que fica a umas 4 horas daqui. Olha aqui”. O sueco, que tinha internet pré-paga no celular, apontou Ko Chang no mapa. Era quase na fronteira com o Camboja.

Finalmente entendi o que estava acontecendo. Ko Chang não é um apelido pra Ko Si Chang. Estávamos indo pra outra ilha da Tailândia e essa viagem – só a ida – levaria, na melhor das hipóteses, 5h30. Gritei pra chamar minha amiga, mas ela não ouviu (porque ouve música com fone de ouvido num volume absurdamente alto). O sueco disse que provavelmente a van pararia nas praias mais perto antes de chegar a Ko Chang, então eu fiquei um pouco mais tranquila pois poderíamos descer em alguma delas, pensei. Nessa hora, já estávamos na estrada e eu não queria fazer nenhum alarde com o motorista e os outros passageiros (meu sangue japonês falou mais alto). Liguei meu Ipod e, depois de pensar em tudo na viagem que podia-ter-dado-muito-errado-mas-que-no-final-deu-certo, comecei a rir sozinha. Muito.

Depois de cerca de 1h ou 1h30, tivemos uma parada para abastecer. Desci da van e, sem conseguir parar de rir, falei pra minha amiga o que estava acontecendo, porque ela ainda não tinha se ligado. Foi aí que falamos com o motorista, com a ajuda de uma tailandesa que sabia um pouco de inglês, pra explicar nossa situação. Ele disse que não faríamos paradas em outras praias e que era totalmente inviável ir pro nosso destino inicial. Depois de muito pesquisar, tentar resolver e discutir, nós duas, que levávamos conosco só uma bolsa de praia com uma canga e protetor solar, pensamos “na pior das hipóteses dormimos essa noite nessa outra ilha mesmo, já que vai ser impossível voltar pra Bangkok hoje”.

Conformadas, seguimos viagem. Depois de pouco tempo, o motorista faz uma nova parada num lugar no meio do nada que parecia ser uma lojinha de salgadinhos, refrigerantes e outras coisinhas. Todos acharam estranho e, quando nos demos conta, o motorista tinha parado lá pra tentar nos ajudar, pois do lado dessa lojinha tinha uma mesinha com duas moças, uma espécie de agência de viagem. De novo com a ajuda de uma boa alma que sabia falar inglês, nos garantiram que uma outra van em direção a Ko SI Chang passaria dali a meia hora.

Agradecemos muito o motorista e ficamos esperando lá na beira de estrada, comendo uns salgadinhos (era o que tinha). A van chegou pontualmente meia hora depois e umas duas horas depois, chegamos no nosso destino, uma linda e pequena praia, numa ilha que poucos conhecem.

Ko Si Chang, Tailândia

Ko Si Chang, Tailândia

Tínhamos acordado às 6 da manhã e chegamos por volta das 14h lá. E, o melhor de tudo, sem perder o bom humor. Disso tudo, ficam essas lições:

1. Qualquer letra a mais no nome de um lugar pode significar um outro lugar

2. Os tailandeses são extremamente fofos e solícitos (e não é só com base nesse exemplo)

3. Viajar com a pessoa certa é fundamental. Alguém que leve numa boa os enganos, que não estresse, que ajude a pensar em soluções e, mais importante, que te acompanhe nas gargalhadas. <3

Produtora de conteúdo interessada em cultura e artes, juntei meu fascínio pelo país de origem dos meus avós com a minha paixão por compartilhar histórias para criar o Peach no Japão. Aqui vocês encontrarão devaneios sobre cultura japonesa, histórias de viagem e dicas que não estão nos guias 😉
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Produtora de conteúdo interessada em cultura e artes, juntei meu fascínio pelo país de origem dos meus avós com a minha paixão por compartilhar histórias para criar o Peach no Japão. Aqui vocês encontrarão devaneios sobre cultura japonesa, histórias de viagem e dicas que não estão nos guias ;)

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