Cadê os bons modos nessas horas?

Um conselho que ouvi mais de uma vez antes de chegar aqui foi: “Piti, toma cuidado porque tem uns caras meio loucos por lá”. É fato que pervertidos existem em qualquer lugar do mundo, mas, infelizmente, logo nas minhas primeiras semanas no Japão, entendi o porquê desse aviso.

Voltando de uma trip de um dia, peguei um trem lotado com um grupo de amigos. Como tinha muita gente, cada um foi pra um canto, onde pudesse ser menos esmagado. Tirei minha mochila das costas e deixei apoiada no chão, para não atrapalhar ninguém. GRANDE ERRO. Logo, senti alguém colado demais nas minhas costas e virei um pouco de lado pra, né, tentar evitar contato em certas regiões. Mesmo assim, dava pra sentir alguém respirando no meu pescoço e, tentando negar a situação, pensei que talvez estivesse faltando um espaço mais apropriado pra essa pessoa inspirar e expirar.

Na estação seguinte, o trem esvaziou um pouco e, logo, um dos meus amigos percebeu o que estava acontecendo e arrumou um lugar para eu ficar perto do grupo. “That guy was staring at you like a creep” foi o que ele me falou. Que nojo.

Como eu não tinha certeza do que estava acontecendo, eu não fiz nada. Mas já pesquisei para saber como lidar com uma situação dessas. Assim, aprendi uma nova palavra pro meu vocabulário. Se alguém passar dos limites, a recomendação é agarrar a mão do cara e gritar “chikan!” (pervertido). Mas, pelo o que ouvi dizer, é difícil alguém te defender de um idiota desses no trem. Os japoneses vão fingir que nada está acontecendo pois é grosseiro se meter nos assuntos dos outros. De verdade, não sei se isso procede e também espero não ter que passar por isso de novo para poder confirmar.

Além desse tipo de assédio, casos preocupantes são os que envolvem stalkers, seja com japonesas ou estrangeiras. Em 2000, depois de um caso horrível, foi colocada em vigor uma lei nacional contra stalking. Ou, em nihongo, SUTOOKA. Mais informações eu encontrei aqui. Entre as recomendações estão: não deixar calcinhas expostas no varal, andar com um alarme de bolso, não ir pra casa de desconhecidos (dar aula de inglês na casa do aluno, por exemplo), pegar um táxi quando for tarde.

Sim, eu sei que costumo dizer pra todo mundo que o Japão é, de longe, o lugar mais seguro onde já estive. E é mesmo. Mas, relembrando o conselho de amigos e familiares, não custa ter cuidado. Seja no Japão ou em qualquer outro lugar.

Produtora de conteúdo interessada em cultura e artes, juntei meu fascínio pelo país de origem dos meus avós com a minha paixão por compartilhar histórias para criar o Peach no Japão. Aqui vocês encontrarão devaneios sobre cultura japonesa, histórias de viagem e dicas que não estão nos guias 😉
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Filed under Devaneios

Produtora de conteúdo interessada em cultura e artes, juntei meu fascínio pelo país de origem dos meus avós com a minha paixão por compartilhar histórias para criar o Peach no Japão. Aqui vocês encontrarão devaneios sobre cultura japonesa, histórias de viagem e dicas que não estão nos guias ;)

5 Comments

  1. Poutz, me subiu o sangue na cabeça! A sexualidade dos japoneses é toda fudida. Quando estive aí, um grupo de operárias brasileiras foi abordado por uns japoneses da mesma fábrica. Eles tinham uma puta raiva delas não os cumprimentarem da mesma maneira que elas faziam entre os brasileiros, com um beijo no rosto. E o bando de idiotas queria “um contato” na base da força.

    • Sim, toda fudida é uma boa definição. Uma amiga suíça fez uma observação interessante: o que esperar de um povo que só tem contato físico quando são bebês e precisam ser carregados pela mãe?

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